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Sabia que na Grécia Antiga acreditava-se que as mulheres ficariam masculinizadas com a prática de exercícios? Além disso, nem na torcida elas podiam ficar porque os homens disputavam os esportes despidos. Hoje, o que deve ser lembrado e disseminado é que lugar de mulher é onde ela quiser.

Os tempos são outros, houve muita evolução nesse tema, mas estamos longe do equilíbrio. Ainda existe quem dá gênero para um esporte e o ambiente na arquibancada nem sempre é amigável. Um clássico disso é o futebol, paixão nacional, mas quando o assunto é seleção feminina, que é tão forte quanto a masculina, a sua popularidade ainda é baixa. A mesma coisa acontece quando analisamos as torcidas e vemos que a grande maioria dos presentes é homem.

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Para entender mais os dois papéis, conversamos com Nathalia Perez, membro da torcida oficial do Milan no Brasil, e Sacha Mona, atleta do São Jorge Rugby Feminino.

lugar de mulher é onde ela quiser
São Jorge, time de rugby feminino (Arquivo pessoal/Sacha Mona)

Influência familiar ou social?

Ballet para meninas, futebol para os meninos. Por muito tempo, essa frase foi considerada unanimidade. Como será que essas mulheres foram estimuladas a ter interesse por algo que faz parte do senso comum?

“Tive uma pequena influência do meu avô, mas nada muito gritante, até porque nós mulheres não somos incentivadas a gostar ou praticar futebol desde criança como os homens são. Comecei a me interessar muito, a pedir para o meu pai e meu avô me levarem ao estádio constantemente, e a paixão só foi crescendo. Depois de um tempo eu estava acompanhando futebol internacional e hoje eu sou a pessoa mais ‘do futebol’ da família”, disse Nathalia.

No caso de Sacha, ela começou assistindo aos treinos do marido e recebeu um convite do treinador para praticar com o time masculino. A paixão pelo esporte decolou ela acabou participando de outros times femininos até chegar no São Jorge.

Rugby feminino: a perspectiva de quem joga

“Ele é um esporte naturalmente desafiador e já entramos sabendo que existem muitas dificuldades por ser um esporte pouco conhecido”, conta Sacha, que pratica a modalidade há 2 anos e meio. “Apesar de ser um esporte de contato físico intenso, o respeito é um dos pilares do esporte, sendo levado à risca dentro e fora de campo”, complementa.

Ela também comenta sobre o lado democrático do esporte. Segundo a atleta, não existe pré-requisito para praticar rugby, mais do que isso, existe a valorização do coletivo, onde cada papel é de extrema importância na partida. Parece um bom jeito de fortalecer os laços, não?

Aliás, se você é de São Paulo, fica o convite: elas treinam às segundas-feiras na Armênia (Centro Esportivo Tietê), às 20h, e aos sábados na USP (Praça do Relógio), às 9h.

 

lugar de mulher é onde ela quiser
Nathalia Perez no estádio San Siro (Arquivo pessoal)

Futebol feminino: lugar de mulher se ela quiser

Além de torcedora, Nathalia já escreveu sobre futebol para o portal Trivela, AC Milan Brasil, SPFC1935 e pontualmente para outros sites e blogs. Sua vivência no segmento é grande e ela nos lembrou que o futebol feminino chegou a ser proibido aqui no Brasil por lei!

E quando o assunto são as seleções femininas, como fica? “Não acompanho tanto quanto eu gostaria, mas acompanho”, responde Nathalia. “Inclusive, quando eu escrevia para o SPFC1935, também abordava temas como a participação da mulher no futebol e falava muito sobre o extinto time feminino do Tricolor”, finaliza.

Esse ano, por exemplo, o Campeonato Brasileiro feminino perdeu o único patrocinador e não teve transmissão na TV.

Machismo no esporte

Como é de se imaginar, o machismo é presente nas duas vias: tanto para quem joga quanto para quem é fã. Uma experiência pode ser o suficiente para ficar na memória, esse foi o caso da Nathalia Perez, que sofreu um ataque de xingamentos em 2015 e o momento ficou marcado. A torcida adversária a insultou pelo seu gênero.

Durante o jogo, não é muito diferente. “Quantas vezes eu escutei que era ‘muito mulherzinha’ para jogar um jogo ‘de homens’”, desabafa Sacha. “Uma vez, o árbitro disse para nossa capitã que a categoria feminina nem era considerado rugby. Mês passado tivemos um caso de machismo dentro de um amistoso misto onde a maioria dos times era feminino e alguns integrantes do time de uma universidade vestiram camisas extremamente misóginas”, conta.

Por outro lado, ambas seguem firme na luta ‘lugar de mulher é onde ela quiser’ e a mensagem é unânime: queremos ser respeitadas.

lugar de mulher é onde ela quiser
Cartazes do movimento ‘Mulheres com Acesso’ (Arte: Dadi Petrolio/ Texto: Ingrid Astasio)

Mulheres com Acesso

Deu para perceber que temos uma longa jornada pela frente, certo? Aqui na Acesso, a 4ª edição do Mulheres com Acesso aconteceu durante os jogos da Copa e aproveitamos para fazer uma campanha de conscientização espalhando cartazes com mensagens do tipo “Eu não quero ser impedida de jogar ou torcer” e “A mãe do juiz não fez nada para você”.

Além disso, fizemos um bolão entre as mulheres como forma de integração e estímulo para entrar nesse universo. Foi muito divertido e positivo!

E você? Pratica ou acompanha algum esporte que é considerado masculino? Conta para a gente a sua experiência nos comentários.